Os manuscritos do mar morto são de fato as maiores descobertas da arqueologia bíblica. Os pergaminhos foram achados ao norte do mar morto no deserto da Judeia por judeus beduínos que procuravam por uma cabra, um pouco antes do renascimento do estado de Israel.

Os manuscritos foram achados em 11 cavernas diferentes, cada uma dessas localizações com todas as representações da bíblia hebraica, assim foram descobertas:

Caverna 1: Em 1947 foram encontradas as escrituras do livro de Isaias, a ordem da comunidade, hinos de gratidão a ordem dos filhos da luz, comentários de Habacuque e mais 70 manuscritos.

Caverna 2, 5,6,7,8,9 e 10: fragmentos de 130 manuscritos

Caverna 3: Em 1952 na caverna 3 foram achados uma lista com os tesouros do templo e seus esconderijos.

Caverna 4:  foram encontrados 400 escritos bíblicos, dentre eles, Ester, Esdras, Neemias, Cânticos dos e tantos outros manuscritos apócrifos.

Caverna 11: Já em 1956 foram encontrados os livros de Salmos escrito em hebraico e Jó em aramaico e o livro de levíticos.

Em 1952 foram encontrados os escritos dos profetas menores da bíblia

1963 a 1965 foram achados os livros de Eclesiastes em hebraico e os manuscritos de salmos, levíticos e gênesis e os papiros dos cânticos do sacrifício do Shabah.

Essas descobertas são de suma importância, pois as escrituras mais datadas na época estavam em São Petersburgo, o que dá mais veracidade aos estudos arqueológicos da bíblia. O grande desafio será alinhar as escrituras modernas aos originais encontrados no mar morto.

 

A importância dos achados bíblicos para academia

Podemos analisar o estudo acadêmico das escrituras bíblicas comparando o códex petropolitanus com os textos do mar morto, comparando as diferenças vamos encontrar apenas alterações semânticas, palavras trocadas, estilística, omissão de palavras, consoantes e vogais diferentes, ou seja, o sentido literal da bíblia sagrada manteve-se intacta, contrariando o que muitas vezes acontece com pergaminhos antigos muito datados que ficam isolados do acontecer histórico, enquanto as suas cópias são completamente modificadas, as escrituras sagradas mantiveram a sua legitimidade, e nenhum sentido foi alterado.

Hoje é possível estudar os manuscritos através da internet, o que era praticamente inacessível para o grande público e restrito a uma nata intelectual, pode ser estudado no conforte de nossas casas, o leitor pode comparar cada tradução com as escrituras originais, o estudo acadêmico das escrituras sagradas em nada atrapalha a pregação congregacional, ambas possuem a mesma relevância.

Os judeus povoaram a Terra de Israel por quase 4000 anos, desde o período dos profetas bíblicos (c.1900 aC). A história da existência judaica no antigo Israel é em detalhada na torá(o “Antigo Testamento” cristão).

A sectarização do povo judeu data da destruição do Templo em Jerusalém em 70 CE. Essa foi uma das maiores vitórias romanas em toda a sua história, os louros desse triunfo ainda é preservado nos escombros históricos da cidade de Roma com o Arco triunfal de Tito. Outro levante judeu também foi registrado na história, no ano 135 DC, mais de 580.000 soldados judeus morreram; essa foi uma das maiores baixas de exercitos judeus, apenas superada pelo próprio holocausto. Logo após a derrota de Israel, o imperador Adriano na tentativa de humilhar a história do povo judeu, decretou em todo o império que o nome “Judéia”  deveria ser substituído por “Síria Palestina” – a Síria filisteia ou a “Palestina” 3.

Jesus já havia dito que não ficaria pedra sobre pedra em Jerusalém, e foi exatamente o que ocorreu.

 

Os tempos eram outros, o que obrigava o povo judeu a se adaptar a um novo ethos social que não fossem as tradições judáicas. Podemos elencar três grandes mudanças na vida do povo judeu no período romano:

 

  • Não havia mais um templo para meditação, o que ocasionou num sistema que baseava-se nas orações e espiação das leis, também conhecido por halacha.
  • Os dogmas do antigo judaismo foram simplificados, entrando em oposição as várias ramificações de judaismo.
  • Foi nesse periodo que nasceram as hierarquias rabínicas para a liderança religiosa do povo, estava decretado o fim da era dos sacerdotes e profetas tão aclamados nas escrituras.

 

 

As sinagogas periféricas já se organizavam no sentido de uma adaptação aos novos ordenamentos romanos, já havia uma separação entre as sinagogas centrais e periféricas, os momentos de oração e estudo da torá eram realizados de uma forma mais improvisada, havia uma rivalidade que permaneceu nesses tempos que exigiam mais pragmatismo. Fariseus e Saduceus travavam uma guerra exegética, de um lado o fundamentalismo dos fariseus que seguiam ipsis litteris o que observava as escrituras da torá, enquanto os saduceus eram mais progressistas, acreditavam no livre arbítrio do homem.

Assim nasceu a figura eclesiástica moderna do judaísmo, o “rabino” (rabbi = professor, professor) essa designação só é encontrada com uma variada materialidade no ano 70. O termo começou a ser utilizado para identificar o aluno da Torá, o sábio. O rabino é um eterno estudioso das escrituras sagradas, tirando a transcendência das nomenclaturas de “profeta” e sacerdote, cabe ao estudante da torá, o ensinamento da palavra de Deus, não há outra designação eclesiástica que possa transmitir o conhecimento das tradições do pentateuco, a não ser o rabino.

Herodes nasceu por volta dos anos 70 AC, sendo ele filho de um dignitário da Eduméia e de uma mulher de origem, Herodes não tinha uma linhagem direta com Davi, conseguiu o seu reinado através das suas articulações com Roma. A sua regência foi um tanto controversa, conhecido por ser um rei vaidoso, deixou um legado de grandes construções, tentando chegar ao patamar de Salamão. Segundo os relatos da bíblia e pelo historiador Flavio Josefo.

Herodes, o grande também era conhecido por sua vida hedonista, ostentava mulheres e riquezas, proporcionava orgias sexuais em seu próprio palácio.

A sua decadência começou no ano 29 A.C, tomado por um sentimento conspiratório, assassinou o seu grande amor, Mariana a quem tomou como esposa, anos depois assassinou os seus próprios filhos, Alexandre e Oristóbolo, que também eram filhos de Mariana.

Boa parte de sua família foi dizimada por conspirações sem nenhum fundamento, sua sede por poder o deixava obcecado, narcísico e inseguro da fidelidade de quem o cercava, anos mais tarde o rei Herodes deparou-se com a pior crise do seu reinado.

Corriam boatos de um novo rei de Israel, Herodes não tinha grandes intimidades com as escrituras, era apenas um rei extravagante fruto de sua época, a ideia de um messias não tinha uma conotação divina aos seus olhos, mas sim política. Tomado pelo medo de perder o seu reinado, ordenou a morte de todos os meninos que nascessem naquela época. A sua perversidade atingiu muitas crianças inocentes, mas não foi o suficiente para atingir o pequeno Messias.  Maria saiu de Jerusalém e deu à luz ao filho de Deus em uma pequena manjedoura em Belém. Logo após o seu ato cruel, Herodes, o grande, foi acometido por uma terrível doença, agonizou por muitos anos até morrer-se sozinho em seu suntuoso palácio.

Vale a pena ressaltar que na Bíblia existem quatros reis Herodes, Além do Herodes, o Grande, o impopular rei de Israel deixou o seu legado aos seus filhos, Herodes Arquelau, Herodes Antipas e Herodes Felipe. Herodes o grande pode ter sido uma figura despótica e cometido muitas maldades, deixou algum legado arquitetônico que até hoje pode ser contemplado em Jerusalém. Toda a geração de Herodes foi muito presente no novo testamento, sobretudo nos eventos que culminaram na crucificação de Cristo. Herodes o grande foi tragado pela sua própria soberba, se deixou levar pelas articulações políticas e a ganância pelo poder.