Arqueólogos encontram vestígios, mas documentos foram saqueados

RIO — Um grupo de arqueólogos descobriu uma caverna que abrigou Manuscritos do Mar Morto, a primeira a ser identificada em mais de 60 anos. Os pesquisadores, da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade Liberty, nos EUA, dizem ter evidências suficientes para assegurar que no passado pergaminhos foram armazenados na gruta, apesar de nenhum documento ter sido encontrado.

— Embora não tenhamos encontrado nenhum rolo, apenas um pedaço de pergaminho enrolado em um jarro que estava sendo preparado para a escrita, as descobertas indicam, sem qualquer dúvida, que a caverna continha pergaminhos que foram roubados — disse Oren Gutfeld, da Universidade Hebraica de Jerusalém, ao jornal local “Haaretz”.

De acordo com o pesquisador, foram encontrados “potes onde os manuscritos eram escondidos, uma tira de couro para amarrar os pergaminhos e um pano para enrolar os pergaminhos”, entre outros artefatos. A suspeita é que os valiosos manuscritos tenham sido pilhados por beduínos na metade do século passado, já que duas cabeças de picaretas de ferro da década de 1950 foram deixadas dentro do túnel.

Um pergaminho foi encontrado, mas não tinha nada escrito – Casey L. Olson e Oren Gutfeld

A caverna fica num penhasco no árido deserto de Qumran, perto da costa noroeste do Mar Morto. Se as descobertas foram confirmadas, ela será a 12ª Caverna dos Manuscritos do Mar Morto, sendo que a última foi localizada em 1956. A caverna de número 8 também não continha pergaminhos, apenas indícios.

Além dos vestígios relacionados aos pergaminhos, os arqueólogos encontraram um selo feito de uma pedra semipreciosa, uma evidência de que a caverna foi habitada na antiguidade. O deserto israelense é um ambiente inóspito, mas foi esporadicamente habitado ao longo da história. Os exploradores também encontraram lâminas e pontas de flecha.

O primeiro Manuscrito do Mar Morto foi descoberto por acaso por beduínos em 1947. Desde então, as cavernas do deserto de Qumran atraem a atenção de arqueólogos e exploradores.

Fuente: O GLOBO

Ela esclarece e complica um pouco mais: a descoberta da cabeça de um rei desconhecido envolve a misteriosa cidade Abel-Bete-Maacá, disputas geopolíticas e até a rainha Jezebel

As ruínas da cidade de Abel Beth Maaca (Abel-Bete-Maacá), no norte de Israel, escondem mais mistérios do que supõe a vã filosofia de Shakespeare. Citada na Bíblia algumas inconclusivas vezes, ela ficava na fronteira entre três grandes reinos antigos, e é um dos lugares mais misteriosos do Antigo Testamento. Arqueólogos israelenses e norte-americanos estão há cinco anos investigando as ruínas, e a mais recente descoberta está dando o que falar: trouxe avanços, mas também vários novos enigmas.

A novidade é um busto pequenininho, de cinco centímetros, que foi encontrado no topo de um prédio administrativo da antiga cidade. A cabeça mostra um homem de barba, com cabelos negros puxados para trás em grossas tranças que cobrem as orelhas. Tudo está perfeitamente alinhado com o que parece ser um diadema de ouro. A estátua é cheia de detalhes. De acordo com um comunicado oficial da Azuza Pacific University, responsável pela descoberta, os olhos e pupilas amendoados são forrados de preto e os lábios franzidos dão uma aparência meio séria, meio pensativa ao homem — não está bravo, mas também não está feliz.

A estátua é feita de faiança, material semelhante ao vidro que era popular em jóias e pequenas figuras humanas no antigo Egito e no Oriente. Pelo local onde foi encontrado e pelo cuidado com que foi retratado, certamente é a figura de um nobre, provavelmente um rei. Marcações com carbono 14 apontam que a imagem foi esculpida em algum momento do século 9 a.C. Os arqueólogos não perderam tempo, e o busto já está exposto no Museu de Israel, rotulado apenas como “cabeça de uma estátua representando um rei”.

Ok, mas o que essa cabecinha significa e como ela cria ainda mais enigmas sobre a Bíblia? E a pergunta mais óbvia: quem era esse rei?

Para tentar esclarecer isso, comecemos pela cidade de Abel-Bete-Maacá. Situada entre o reino de Aram-Damasco, a leste; a cidade fenícia de Tiro, a oeste; e o reino de Israel, com capital em Samaria, ao sul; ela é tida como uma “encruzilhada fortificada” — por conta de seus grandes muros. Talvez abrigasse um famoso oráculo (não tão brilhante quanto o Senhor de Todas as Respostas, claro). Pouco se registrou sobre o lugar, e a passagem bíblica mais famosa faz referência e uma “mulher sábia” e a um fugitivo do Rei Davi. Segundo o livro de Samuel, um bandido procurado fugiu para Abel-Bete-Maacá. Davi, soberano de Israel, e suas tropas queriam colocar os muros da cidade abaixo para invadir. Foi quando uma mulher misteriosa interferiu e argumentou: “Por que você quer engolir a herança do Senhor?”. Os soldados disseram que só queriam o X9. Ela ordenou que cortassem-lhe a cabeça e jogassem por cima do muro. Assim feito, as tropas de Davi deixaram a cidade em paz.

Mas, se a datação estiver certa, nosso reizinho só apareceu no lugar um século depois do episódio. Nesse período, o reino de Israel tinha se dividido em dois, e a cidade de Abel-Bete-Maacá estava no meio de uma complicada disputa de poder geopolítico entre seus vizinhos. O rei misterioso talvez fosse alguém bem importante perante isso tudo. Ainda mais porque na Idade do Ferro, época em que o busto foi esculpido, pouquíssima arte figurativa foi produzida. O pouco que existe é de baixíssima qualidade, e nosso rei é de um primor não antes visto pelos pesquisadores. Os cientistas acreditam que Abel-Bete-Maacá teve diversos líderes ao longo do século 9, e esse pode ser um deles.

Fuente: Ingrid Luisa
En: Superinteressante