Na Cidade de Davi, foram encontrados mais de 50 “Bulas”, ou seja, peças feitas de barro nas quais os selos oficiais foram cunhados, geralmente de reis ou oficiais do rei.

Na época do Primeiro Templo (-1004 a -586) era costume escrever documentos oficiais ou comerciais em papiro ou couro, enrolar o documento, costurá-lo com fio e gravá-lo com o selo do oficial que enviava o documento, conforme mostrado nas seguintes imagens:

Fonte: https://travelability.co.il/en/2017/05/the-city-of-david-where-jerusalem-began/
Fonte: https://www.hidabroot.org/article/1124064

 

Sobre esse uso, vemos o seguinte texto em Jeremias 32: 9-14:

9 Comprei, pois, a herdade de Hanameel, filho de meu tio, a qual está em Anatote; e pesei-lhe o dinheiro, dezessete siclos de prata.

10 E assinei a escritura, e selei-a, e fiz confirmar por testemunhas; e pesei-lhe o dinheiro numa balança.

11 E tomei a escritura da compra, selada segundo a lei e os estatutos, e a cópia aberta.

12 E dei a escritura da compra a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaséias, na presença de Hanameel, filho de meu tio e na presença das testemunhas, que subscreveram a escritura da compra, e na presença de todos os judeus que se assentavam no pátio da guarda.

13 E dei ordem a Baruque, na presença deles, dizendo:

14 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma estas escrituras, este auto de compra, tanto a selada, como a aberta, e coloca-as num vaso de barro, para que se possam conservar muitos dias.

Entre as bulas achadas na Cidade de Davi são mencionados nomes de personagens que encontramos na Bíblia, coincidentemente no livro de Jeremias.

Parte I: Descoberta e destruição

A estela de pedra de Mesa, rei de Moabe, é um dos documentos autênticos mais fascinantes do período bíblico e uma das mais dolorosas decepções da pesquisa dessa época.

A história da descoberta da estela começa no ano de 1868.

O imenso império Turco Otomano dominava praticamente todo o Oriente Médio naquela época por mais de três séculos, e várias indicações apontavam para seu possível fim: a maioria de seus habitantes constituíam um mosaico de grupos étnicos e tribos não-turcas, sobrecarregados pelo peso do aparato governamental burocrático e inepto e pela pressão fiscal de um Estado que eles percebiam como distante.

O império Otomano em seus fins mostrava sinais de fissuras em todos os aspectos, e as potências européias, especialmente a Grã-Bretanha, a França e a Prússia, muito atentas à situação, demonstravam grande interesse em aumentar sua influência na área, prevendo um possível colapso do império, entre outras coisas, aumentando sua presença e estabelecendo relações com diferentes grupos étnicos e minorias.

Um grande número de embaixadores, cônsules, pesquisadores e representantes europeus se estabeleceu nas cidades ao longo do império, e instituições europeias de todos os tipos foram criadas, incluindo religiosas, culturais e científicas.

Arqueólogos aficionados europeus realizaram escavações em locais que já foram o berço das grandes civilizações antigas da região – Grécia, Egito, Israel, Babilônia – e criaram institutos de pesquisa para eles.