A mulher no período bíblico não era tratada como inferior. As esposas dos patriarcas eram ouvidas, respeitadas e admiradas.

As características femininas da menstruação, a sexualidade e os mistérios da gestação sempre foram encaradas com um misto de admiração e medo. Cada grupo social reagia ao seu modo, mas sempre percebendo e respeitando seu valor.

Passados alguns milênios, a situação mudou: o que era motivo de admiração tornou-se vergonha e subordinação.

Embora alguns acusem a Bíblia de ter contribuído para a desvalorização da mulher no ocidente, ela registra a presença das mulheres nos momentos mais decisivos: na criação do mundo, na formação do povo escolhido, na sua preservação, conquista da terra prometida, no período dos juízes, no estabelecimento do Reino de Israel, na sua divisão, no período do exílio, na genealogia de Jesus, no seu ministério, na sua morte e ressureição e na formação da igreja primitiva.

A mulher no período bíblico não era tratada como inferior. As esposas dos patriarcas eram ouvidas, respeitadas e admiradas.

As mulheres participavam das celebrações religiosas e sociais, atuavam no plano econômico e tinham voz no campo privado e no público. As mulheres estavam presentes nas festas judaicas (Dt 12.12) e nos sacrifícios (Dt 12.18).

Faziam parte da aliança do povo com Deus (Dt 29.10-13) e deviam, como os homens, conhecer e respeitar a lei (Dt 31.12).

As mulheres atuaram na reconstrução do muro de Jerusalém (Ne3.12), um papel tradicionalmente masculino. Como Neemias não traça nenhum comentário ao fato, pode-se inferir que não era incomum, tanto que há o registro da construção de três cidades por Seerá, filha de Efraim (1 Cr 7.24).

O fato de que não há destaque à questão de gênero quando uma mulher exerce um papel de liderança na Bíblia é um sinal de que isto não despertava estranheza.

O único cargo em que as mulheres estavam excluídas era o de sacerdote cujas altas exigências excluíam mesmo a maioria dos homens (Lv 21).  Apesar disso as mulheres dos sacerdotes e suas filhas participavam da refeição sacerdotal (Lv 22.10-13) e a mulheres ministravam à porta do tabernáculo (Êx 38.8).

Deus valoriza tanto a mulher que se dirige diretamente a várias delas como: Hagar (Gn 21.17), a mãe de Sansão (Jz 13.3, 9) e Maria. A Bíblia registra que as mulheres sentiam-se à vontade para buscar a presença e orientação de Deus como fez a mulher de Jeroboão (1 Rs 14.1-16), a Sunamita (2 Rs 4.22-30), Rebeca (Gn 25.22-23), Raquel (Gn 30.6) e Ana (1 Sm 1.10-17; 2.1-10).

A mudança na relação entre os gêneros se deve muito à influência do patriarcalismo romano. Entre os romanos, as mulheres ocupavam posição socialmente subordinada, politicamente nula e economicamente relativa.

A partir do século I, o judaísmo rabínico começou a produzir o Talmud, coletânea de textos referentes à lei, ética, costumes e história do povo judeu.

Como o povo judeu vivia sob o domínio romano, muito desta cultura foi inserida no Talmud como o lugar atribuído à mulher na sociedade, que passou a praticamente não ter mais vida social, ficando afastada dos acontecimentos e lugares públicos e religiosos.

Jesus revelou grande coragem quando ignorou as barreiras sociais existentes e exerceu um ministério pessoal junto às mulheres.

Tendo sido criado no judaísmo sabia as regras sociais mas, apesar disso, desafiou a sociedade de sua época com atitudes muitas vezes escandalosas que para ele eram naturais, frutos de seu amor e compaixão pela humanidade como um todo.

 

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Dra. Lidice Meyer Pinto Ribeiro

Pós Doutora em Antropologia e História pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutoranda em Estudos de Globalização pela Universidade Aberta de Portugal;

Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo e Mestre em Etnobotânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/Museu Nacional. Professora Convidada no Mestrado em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona de Portugal e Investigadora no Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Universidade de Lisboa.

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