O judaísmo segue um calendário lunar que está ajustado ao calendário solar, e que poderíamos chamar um ano “lunissolar”. 

As principais celebrações judaicas são Pessach (Páscoa), Shavuot (Pentecostes) e Sucot (Tabernáculos), que também são conhecidas como as festas de peregrinação de origem bíblica. 

Outras celebrações de origem bíblica incluem Yom Kipur (Dia do Perdão) Rosh Hashaná (Ano Novo Judaico) e Purim, que comemora os acontecimentos narrados no Livro de Ester.

Existem outras comemorações cuja origem são ditames rabínicos posteriores. Algumas delas são festivas, outras são um luto. Por exemplo, Simchat Torá (Regozijo da Torá), celebra o fim do ciclo da leitura anual do pentateuco. Chanucá (O Festival das Luzes), que dura 8 dias, comemora a vitória dos Macabeus sobre os gregos selêucidos e a renovação do culto no Templo de Jerusalém.

Entre os 4 dias anuais de luto, encontramos o 9 do mês de Av, dia de jejum que nos lembra a destruição tanto do primeiro Templo quanto do segundo.

Um terceiro grupo, inclui os dias que comemoram os eventos históricos (Dia do Holocausto) e dias nacionais do Estado de Israel, por exemplo, o Dia da Independência.

Pessach: Páscoa. É comemorado o êxodo do Povo de Israel após 400 anos de escravidão no Egito. Também marca o começo da colheita da cevada. 

Data no calendário hebraico: de 15 a 21 do mês de Nissan

Mês no calendário gregoriano: Março/Abril

Shavuot: Pentecostes. Após 7 semanas contadas a partir da Páscoa, é comemorada a entrega da Torá a Moisés no Monte Sinai. Também marca o começo da colheita dos cereais.

Data no calendário hebraico: dias 5 e 6 do mês de Sivan

Mês no calendário gregoriano: Maio/Junho

Sucot: Tabernáculos. Essa festa nos lembra as cabanas nas quais morava o Povo de Israel no deserto durante 40 anos. Relembra, na verdade, os 40 anos de êxodo dos hebreus no deserto após a sua saída do Egito.

Também marca a época das colheitas, e a colheita dos frutos do verão, como as azeitonas, os figos, as tâmaras, etc.

Data no calendário hebraico: De 21 a 28 do mês de Tishrei

Mês no calendário gregoriano: Setembro/Outubro

Yom Kipur: É o dia do ano que em que o povo judeu entra num profundo jejum e na expiação dos pecados, ocorrendo no outono, dez dias após o Ano Novo. É a ocasião mais sagrada e importante do ano religioso judaico.

Data no calendário hebraico: Dia 10 do mês de Tishrei

Mês no calendário gregoriano: Setembro/Outubro 

Rosh Hashaná: Um mandamento da Torá diz que o primeiro dia do mês de Tishrei (primeiro mês do ano), será o “dia do toque de uma trombeta” (ritual do Shofar, o chifre do carneiro que é tocado na ocasião). Esse dia é considerado como sendo o primeiro dia do ano na contagem dos anos do jubileu.

Data no calendário hebraico: Primeiro do mês de Tishrei

Mês no calendário gregoriano: Setembro/Outubro

Simchat Torá: Nos dias de Esdras e Neemias, o Pentateuco foi dividido em 52 porções, e cada semana do ano, uma delas é lida. A finalização do ciclo anual de sua leitura, é comemorado nessa ocasião festiva.

Data no calendário hebraico: Dia 22 do mês de Tishrei

Mês no calendário gregoriano: Setembro/Outubro

Chanucá: Festividade que versa sobre o Culto ao Templo nos dias dos Macabeus.

Data no calendário hebraico: Dia 25 do mês de Kislev até dia 2 do mês de Tevet

Mês no calendário gregoriano: Dezembro

Em 19 de abril de 1943 estourou a Revolta do Gueto de Varsóvia. Todas as manhãs, soldados nazistas entravam no gueto para reunir os judeus selecionados e levá-los para a “Praça dos Envios”, a estação de trem onde embarcariam para os campos de extermínio. Naquela manhã, grupos de jovens realizaram um ataque coordenado contra soldados alemães que marchavam pelas ruas do gueto.

A revolta de Varsóvia em 19 de abril de 1943 correspondeu naquele ano ao dia 14 de Nissan, véspera da Páscoa de 5733, por isso, devido à proximidade com a celebração judaica, não se considerou uma data apropriada para comemorar “outro” evento. 

Finalmente, foi determinado que o Dia da Lembrança do Holocausto seria, todo ano, uma semana após a Páscoa; ou seja, no dia 27 de Nissan

A revolta do Gueto de Varsóvia foi talvez a mais importante e conhecida de todas, mas as manifestações de heroísmo durante o Holocausto foram muitas e variadas. Houve outras, em outros guetos, nos campos de extermínio ou nas florestas. Mas o dia 19 de abril de 1943 ficou gravado na memória coletiva judaica como uma data para ser lembrada. 

 

 

Seis anos depois, o kibutz “Lohamei Ha Guetaot”(Combatentes dos Guetos), seria fundado exatamente nessa data pelos sobreviventes daqueles levantamentos, que desejavam erguer o estandarte da sublevação contra o antissemitismo alemão.

No Israel dos dias do mandato britânico, havia quem usasse a expressão “como ovelhas para o matadouro” para descrever os judeus que iam para as câmaras de gás sem opor resistência. Esta expressão não é bíblica, mas existem na Bíblia várias outras semelhantes. Por exemplo, em Isaías 53:7, temos a frase “…como um cordeiro, foi levado ao matadouro”, ou em Jeremias 12:3, a frase “como o rebanho para o matadouro”.

Os sobreviventes do Holocausto interpretaram esse ditado como uma expressão de desprezo e, portanto, decidiram enfatizar que, nas terríveis circunstâncias da guerra, houve manifestações de verdadeiro heroísmo.

A data da Revolta do Gueto de Varsóvia foi definida por causa de sua importância histórica e simbólica, e os eventos para marcar seu aniversário naquele dia começaram a ser organizados na Terra de Israel.

Ao mesmo tempo, o Rabinato de Israel decidiu comemorar o Dia da Memória do Holocausto em 10 de Tevet (quarto mês do calendário hebraico), o dia de Kadish geral. Segundo a tradição, em 588 a.e.c., conforme o calendário judaico, começou o assédio a Jerusalém por Nabucodonosor. 

O assédio terminou um ano e sete meses depois com a destruição de Jerusalém e do Primeiro Templo. Portanto, o Rabinato decidiu que este dia seria apropriado para lembrar daqueles que pereceram no Holocausto, cuja data de morte é desconhecida, e assim seus parentes poderiam praticar os costumes tradicionais do luto. 

No entanto, em 1951, o parlamento do Estado de Israel aprovou um decreto segundo o qual em 27 Nissan se celebraria o “Dia da Memória do Holocausto e da Revolta dos Guetos”. Em 1959 foi promulgada a lei “Dia do Holocausto e do Heroísmo”.

 

A Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu em 1 de novembro de 2005, por unanimidade, comemorar o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto em 27 de janeiro. Nesta data, o campo de extermínio de Auschwitz foi libertado por soldados do Exército Vermelho. 

Muitos países celebram o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto com cerimônias especiais, mas o Estado de Israel aderiu a uma tradição de 70 anos e continua a lembrar as vítimas do Holocausto de acordo com a data hebraica do levantamento do Gueto de Varsóvia, que neste ano cai no dia 8 de abril.