(tradução do artigo publicado pela Universidade Hebraica de Jerusalém no dia 08/02/2017)

O arqueólogo da Universidade Hebraica Dr. Oren Gutfeld: “Esta é uma das descobertas arqueológicas mais emocionantes e as mais importantes dos últimos 60 anos nas cavernas de Qumran”.

Escavações em uma caverna nos penhascos do oeste de Qumran, perto da costa noroeste do Mar Morto, demonstram que os Manuscritos do Mar Morto do período do Segundo Templo, estavam escondidos na caverna e foram saqueados pelos Beduínos em meados do século passado. Com a descoberta dessa caverna, os especialistas agora sugerem que ela seja listada como Caverna 12.

Arqueólogos Escavando

A surpreendente descoberta, que representa um marco na investigação dos Manuscritos do Mar Morto, foi feita pelo Dr. Oren Gutfeld e Ahiad Ovadia, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, com a colaboração do Dr. Randall Price e estudantes da Liberty University na Virgínia, EUA.

Os escavadores são os primeiros a descobrir, em mais de 60 anos, uma nova caverna de manuscritos e cavá-la devidamente.

A escavação foi apoiada pela Administração Civil da Judéia e Samaria, pela Autoridade da Natureza e Parques de Israel, e pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), e faz parte do novo “Operação Manuscrito” lançada na IAA pelo seu Diretor-Geral, Sr. Israel Hasson, para realizar pesquisas sistemáticas e escavar as cavernas no deserto da Judeia.

Dois primos da tribo beduína de Ta´amira, Muhamad A´Dib e Jumma Muhamad, descobrem acidentalmente, no início de 1947, os 3 primeiros manuscritos que estavam em um jarro de cerâmica quando uma cabra de seu rebanho ficou perdida dentro de uma caverna que mais tarde seria chamada de Caverna 1. Dias depois, encontram nessa mesma caverna, mais quatro manuscritos.

Imagem 1: Muhamad A´Dib e Jumma Muhamad.

Esses primos se reúnem com um sapateiro de Belém chamado Jalil Iskandar Shahin, apelidado de “Kando”, um árabe cristão da Igreja Ortodoxa Síria, que também estava envolvido no comércio de antiguidades. Segundo o rumor (nunca confirmado), acredita-se que os beduínos tenham-se interessado em que Kando fabricasse sandálias com o couro dos manuscritos. Kando, no entanto, recomendou que esses manuscritos valessem mais como antiguidades e os convenceu a se encarregar de vendê-los ele mesmo.

Imagem 2: Jalil Iskandar Shahin.

O teatro no Império Romano era uma estrutura pública central que servia como local de entretenimento para a sociedade em geral.

Fazia parte do conceito de Panem et Circense (“Pão e Circo”), ou seja, entretenimento para o povo com o objetivo de distraí-lo dos problemas cotidianos, como falta de meios de subsistência, corrupção política e outros.

Como muitos outros edifícios públicos, o teatro romano também foi herdado da cultura grega que os romanos tanto admiravam.

Duas diferenças centrais existiam entre o teatro romano e o grego.

A primeira é arquitetônica, enquanto os gregos construíram aproveitando a topografia do local, como por exemplo, colocar as escadas ao lado de uma colina, os romanos construíram as bases para elevar as escadas sem levar em conta a topografia do local.

E a segunda diferença está na função do teatro.

Enquanto os gregos usavam o teatro para transmitir mensagens políticas ou filosóficas através de gêneros como o drama, a comédia e a tragédia, os romanos usavam principalmente o teatro como fonte de diversão e distração para o povo.

A estrutura do teatro romano era praticamente idêntica ao longo do império e consistia em uma estrutura semicircular (ao contrário do anfiteatro que era circular ou oval), delimitado através do cenário, coberto de véus e geralmente com dois ou três andares.

As escadas, como mencionado acima, estavam sobre estruturas de pedra, criando assim um tipo de cofres que sustentavam essas escadas.

Através desses cofres, foram criados corredores chamados “vomitoria”, cuja função era permitir que o público entrasse e saísse após a apresentação.

Uma vez entrado ao teatro pela “vomitoria”, os participantes do espetáculo ocupavam seus lugares já numerados (foram encontrados em Cesareia Marítima restos de duas entradas com o número correspondente) e assistiam ao espetáculo olhando na direção do palco que talvez tinha um muro alto que servia de cenário.

Aquela parede permitia que o sol não turvasse a visão do público, principalmente se a apresentação era durante o pôr do sol.

Os convidados VIP não entravam pela “vomitoria”, mas sim pelas entradas laterais dos dois lados do palco e se sentavam nas primeiras fileiras perto de uma área chamada “orquestra”, a área semicircular muito próxima ao cenário.

Quando Herodes construiu Cesareia Marítima sobre os restos da antiga vila fenícia de Torre de Estrato durante os anos -22 a -10, a intenção era criar uma cidade totalmente romana em torno de um porto sofisticado, uma maravilha da engenharia da época, que seria comercializada com todos os conhecidos, da Índia à Europa.

Assim, Herodes constrói em frente ao porto um templo em homenagem à deusa Roma e ao César Augusto, mas também constrói banhos romanos, hipódromos, seu próprio palácio luxuoso no Mar Mediterrâneo (outra genialidade arquitetônica do Herodes), um aqueduto sofisticado e, claro, também, um teatro romano com capacidade para aproximadamente 4.000 espectadores.

Segundo Flavio Josefo, a morte de Herodes Agripas, neto de Herodes o Grande, ocorreu no teatro de Cesareia Marítima por ocasião da celebração do festival em homenagem à fundação desta bela cidade portuária:

“Agora, quando Agripa reinou três anos em toda a Judéia, chegou à cidade de Cesareia, que anteriormente era chamada de Torre de Estrato, e ali fez apresentações em homenagem ao César, para cujo bem-estar havia sido informado de que um determinado festival estava ocorrendo. Neste festival, um grande número de conselhos das principais pessoas da dignidade de sua província se reuniram. No segundo dia dos shows, ele vestiu uma roupa feita inteiramente de prata, com uma textura verdadeiramente maravilhosa, e entrou no teatro de manhã cedo”.

O livro de Atos dos Apóstolos refere-se à morte de Herodes Agripas (a quem o autor de Atos, o evangelista Lucas, simplesmente chama Herodes) da seguinte maneira:

20 E ele estava irritado com os de Tiro e de Sidom; mas estes, vindo de comum acordo ter com ele, e obtendo a amizade de Blasto, que era o camarista do rei, pediam paz; porquanto o seu país se abastecia do país do rei.

21 E num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática.

22 E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem.

23 E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou.

É bem possível que a descrição em Atos tenha ocorrido, como mencionado por Flavio ​​Josefo, no teatro da Cesareia Marítima. Principalmente o versículo 21 que fala sobre Agripa “vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática” sugere que ele estava presente em algum evento importante.

O teatro romano que vemos hoje em dia na Cesareia Marítima pertence, em grande parte, à época do imperador Septímio Severo (193-211 e.c.), embora a base das estradas seja original da época do Rei Herodes e também o palco.

O teatro deixou de funcionar no século V e no século VI foi cercado por um amplo muro (que pode ser visto até hoje), tornando-o uma base militar bizantina.

As reformas foram realizadas não apenas no século II ou III, mas também durante o século XX, a fim de adaptar seu uso à modernidade.

Hoje, grandes artistas israelenses e mundiais realizam concertos e shows no teatro de Cesareia (que eles chamam erroneamente de “Anfiteatro”). Que um artista israelense de um recital em Cesareia significa que ele alcançou o auge de sua carreira (!).

Desde os dias do Rei Herodes e até hoje, quase 4.000 pessoas desfrutam regularmente de espetáculos que esse maravilhoso teatro oferece. Herodes era um rei cruel e sedento de sangue, mas, apesar disso, os amantes da arte são gratos com ele por ter nos deixado essa obra sem igual.

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Ariel_Horovitz_Diretor_Moriah_Center

M.A. Ariel Horovitz

Fundador e diretor do Moriah International Center.

É formado em Sociologia e História do Povo Judeu pela Universidade Hebraica de Jerusalém, mestre em Gestão e Liderança pela Universidade de Bar Llan, de Israel.

É especializado na área de Liderança na Bíblia e em outros temas relacionados com a história do povo desde os tempos Bíblicos até a atualidade do moderno Estado de Israel.

Oferece conferências e seminários em diversas instituições acadêmicas de Israel, Estados Unidos, México, Brasil, Angola e outros países.

 

1. É muito provável que Davi nunca tinha pisado esse lugar na sua vida. Isso não impediu aos antigos bizantinos, que governaram a Terra de Israel no ano 324 a 638 da nossa era, acreditar fervorosamente (e erroneamente) que essa estrutura monumental era o palácio do Rei Davi. Logo depois, com o tempo, essa tradição perdurou e é assim que até hoje o local se chama “A Torre de Davi”. Muitos visitantes ainda acham que o rei Davi passou por aquele lugar.

2. Neste local, se podem distinguir restos arqueológicos de quase todos os tempos da história milenar de Jerusalém, desde os tempos do Rei Ezequias (finais do século VIII A.E.C.) até o período britânico (1917-1948). É por isso que existe um belíssimo museu que conta a história de Jerusalém, inclusive desde a época Cananéia e até os nossos dias. A exibição é fixa e, de tempos em tempos, há exposições temporárias relacionadas à história de Jerusalém. As noites tem um show maravilhoso que conta a mesma história, mas com luzes de laser e sons.

Os restos de mais de 150 sinagogas antigas das épocas romana (37 A.E.C. – 324 E.C.) e bizantina (324 a 638 E.C.) descobertos em Israel, sem dúvida, estão entre as descobertas arqueológicas mais importantes do país.

Neles foram encontradas mais de duzentas inscrições originais, em sua maioria, em aramaico, a língua mais falada pelos judeus nessa época, e em minoria em hebraico e grego.

A maioria deles são expressões de agradecimento e benção para as pessoas que fizeram doações significativas para a sinagoga local.

Uma das inscrições descobertas na antiga sinagoga de Ein Gedi (עֵין גֶּדִי), a inscrição da maldição, é excepcional e única em seu gênero.

Ein Gedi, um oásis na desértica faixa costeira ocidental do Mar Morto, é em si um local excepcional, com uma presença arqueológica ininterrupta desde a época do Primeiro Templo (veja p.ex. 1Samuel 23:29, Cantares 1:14) até o fim da época bizantina.

Sua localização geográfica e as condições climáticas extremas de seu entorno fizeram dele e de seu povo um lugar especial.

A faixa desértica que faz fronteira com o Mar Morto fica cerca de 400 m. abaixo do nível do mar, recebe apenas 70 mm. de precipitações por ano aproximadamente, e as temperaturas no verão sobem acima de 40 °.

Muitas pessoas acreditam que o Domo da Rocha, ou seja, a cúpula dourada que está no Monte do Templo em Jerusalém, é a chamada Mesquita do Omar. A realidade é que este belíssimo edifício com cúpula dourada não é nem uma mesquita nem é de Omar.

Trata-se de um santuário construído no ano de 691 pelo califa Abd al-Malik com o objetivo de:

  1.     Criar um santuário no mesmo local onde o Templo Sagrado de Jerusalém foi erguido, construído originalmente por Salomão quem, por sua vez, é um profeta no Islã. Além disso, inicialmente Maomé instruiu seus seguidores a orar na direção de Jerusalém, imitando os judeus que viviam no século VII na península arábica.
  2.     Competir com seus rivais bizantinos, mostrando que o santuário muçulmano é mais belo e suntuoso que o Santo Sepulcro. É por isso que a estrutura do Domo da Rocha é octogonal, talvez inspirada na igreja bizantina de Kathisma do século V (que lembra o local onde, segundo a tradição, Maria descansou a caminho de Belém), que também era octogonal e além disso, possui uma cúpula muito semelhante à cúpula do Santo Sepulcro.
  3.     Rivalizar com seu inimigo político, o califa Ibn al-Zubayr, quem controlava Meca (o lugar mais sagrado do Islã) e assim, desviar para Jerusalém boa parte das correntes peregrinas que iam em direção àquela cidade santa. Essa tese ainda é discutível por alguns historiadores que argumentam que o Abd al-Malik, um crente muçulmano, não iria prejudicar a peregrinação à cidade sagrada de Meca. De qualquer forma, é na época do filho de Abd al-Malik, Al Walid, que começam a identificar a passagem no Alcorão que fala da jornada de Maomé de Meca a “Al Aqsa”, que significa em árabe “o distante”, com o Monte do Templo em Jerusalém (ao qual os árabes chamam até hoje “Haram Al Sharif”, o “Nobre Santuário”). De acordo com essa tradição, nascida no início do século VIII, nessa travessia noturna o Profeta Maomé pousa na rocha que está dentro do Domo da Rocha (e daí seu nome) e sobe ao céu para receber de Deus os cinco preceitos do Islã a serem disseminados em todo o mundo.

Mas então, de onde vem a confusão que identifica o Domo da Rocha com a Mesquita de Omar?

A descoberta casual dos pergaminhos por um beduíno da tribo Ta’amireh, no final do ano 1947, em uma das cavernas perto do local chamado Khirbet Qumran, localizada na costa noroeste do Mar Morto, acabou por ser um dos achados arqueológicos mais sensacionais, se não o maior, de todos os que ocorreram no século XX.

Entre os anos 1947 e 1956, foram encontrados, em onze cavernas na área, aproximadamente 800 manuscritos escritos quase 2.000 anos atrás, na época do Segundo Templo (538 A.C-135 D.C.).

Desde então, milhares de artigos e livros tentaram decifrar os textos misteriosos, a fim de revelar uma realidade do passado cultural do povo de Israel, que era quase totalmente desconhecida.

Apesar disso, nos últimos anos, a importância da descoberta de Qumran foi obscurecida pela polêmica envolvida em torno dos “interesses” políticos por trás da publicação dos pergaminhos, como exemplificado pelo livro sensacionalista de Baigent e Leigh chamado O escândalo dos Rolos do Mar Morto.

Como resultado, o público identificou, infelizmente, a questão dos rolos com enganos e histórias “picantes”, ao invés de perceber a real importância do achado para a compreensão do judaísmo antigo.

Levando essa situação em consideração, este artigo tem como objetivo principal corrigir o equívoco atual.

Em primeiro lugar, cabe assinalar que até a descoberta dos pergaminhos do Mar Morto nas proximidades de Qumran, a realidade histórica do judaísmo do Segundo Templo era conhecida apenas por fontes secundárias, tardias e, em muitos casos, tendenciosas, como Flavio Josefo, o Novo Testamento, Fílon de Alexandria, a literatura pagã e rabínica.

Em consequência, esse achado permitiu aos pesquisadores, pela primeira vez na história, ter documentação original escrita por judeus que viviam na época, para confirmar ou, em alguns casos, refutar as informações obtidas através das fontes clássicas.

No que se refere ao caráter do material descoberto, em Qumran encontraram-se manuscritos que podem dividir-se em três categorias fundamentais:

1. manuscritos bíblicos

2. literatura não-canônica

3. literatura sectária.

Cerca de 200 manuscritos de todos os livros da Bíblia foram achados, com exceção de um, o livro de Ester.

Ou melhor:

Por que os relatores ou compiladores do Livro Bíblico dos Reis decidiram não incluir nele o relato de uma das maiores, mais decisivas e importantes batalhas da época?

Map Qarqar
Imagem 1: Mapa de Qarqar

Foi no século IX AC. A divisão dos israelitas em dois reinos, Israel no norte, com uma capital em Samaria, e Judá no sul, com uma capital em Jerusalém, já era um fato consumado e irreversível. Mas a dinastia real do reino do norte nesses momentos, a Casa de Omri, tinham estabelecido convênios de aliança com o reino de Judá e também com o reino fenício de Tiro.

Selaram-se as alianças com casamentos diplomáticos entre as famílias reais:

  • Omri casou seu filho Acabe com a princesa Jezabel, filha do rei de Tiro, e Acabe e Jezabel por sua vez deram sua filha Athaliah (Athaliah) em casamento ao príncipe herdeiro Joram (Yehorám), filho de Jeosafá, rei de Judá da Casa de Davi.

A aliança tripartida foi mantida durante todo o reinado da Casa de Omri, e trouxe consigo um notável auge econômico, entre outras razões pelo domínio dos reinos aliados das rotas comerciais que ligavam os portos fenícios no Mediterrâneo ao porto de Eilat sobre o Mar Vermelho, e com as rotas das caravanas para leste.

Esse auge econômico, diplomático e comercial também trouxe consigo uma crescente influência cultural e religiosa estrangeira nos reinos de Judá e Israel, o qual enfureceu os fervorosos defensores do monoteísmo israelense.

Desde o ponto de vista teológico do Livro dos Reis, os reis da Casa de Omri foram uma manada de odiosos pecadores, cujo summum foi a introdução da adoração aos deuses estrangeiros Baal e Asherah nas mãos de Jezabel e seu séquito.

Acabe (871-851 AC) foi o rei mais poderoso da dinastia e talvez o mais poderoso de toda a história do reino do norte.

 

Canal de Água - Tel Sheva
Canal de Água – Tel Sheva

Uma das coisas que atrai poderosamente a atenção de todos os que visitaram os restos arqueológicos das cidades-fortalezas dos antigos reinos de Judá e Israel (séculos IX-VI AEC), são os imponentes projetos de infraestrutura hidráulica destinados a abastecer a cidade com água quando esta é cercada pelo inimigo. Acima de tudo, destacam-se na vista do visitante as obras hidráulicas das antigas cidades de Hazor e Megido no norte de Israel, com seus enormes buracos de paredes revestidas de pedras esculpidas e escalonadas, que depois de descer dezenas de metros, estão ligados a túneis horizontais que os conectam a fontes localizadas fora dos limites da cidade, conduzindo mansamente suas águas, cidade dentro.

Mas não vou me referir a eles hoje, mas sim a projetos hidráulicos não tão impressionantes pelo tamanho, mas sim pela engenhosa habilidade de seus arquitetos, engenheiros e construtores, que conseguiram encontrar soluções de abastecimento e gerenciamento de água na parte mais árida da Terra de Israel, o Negev, que se estende do vale de Beer-Sheva ao sul.

Neste vale e perto da moderna cidade de Beer-Sheva, está o tel que preservou o nome bíblico Shéba através dos tempos (não confundir com Beer-Sheva) e mantém os restos da cidade antiga homônima (Josué 19: 2 mencionado imediatamente após Beer-Sheva). Hoje o local é um Parque Nacional e reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Por si só, era uma pequena cidade-fortaleza murada de 1,15 ha (11.500 m2), que, na época do Primeiro Templo, fazia parte de uma cadeia muito ampla de fortalezas de diferentes tamanhos ao longo das montanhas que bordejam os vales de Beer-Sheva e Arad.

 

Estrategicamente, o site possui uma excelente posição topográfica, porque se destaca no meio de um contorno de pequenos vales que compõem o vale de Beer-Sheva, o que lhe dá uma posição de vantagem sobre qualquer inimigo que tente assediá-lo. Seu calcanhar de Aquiles era o abastecimento de água que, se não fosse resolvido, inevitavelmente levaria à rendição a um cerco prolongado.

Mais de uma vez, em discussões acaloradas ou conversas prolongadas, os participantes usam comparações com episódios bíblicos para basear ou fortalecer suas posições político-econômicas ou socioeconômicas, e parece que o material a ser citado é tão variado, que cada um pode encontrar apoio na Bíblia Hebraica um argumento para sua opinião, às vezes arrancando esse argumento de seu contexto original.

Existe na Torá uma visão, ou uma posição clara sobre a economia e as relações de classe? Vamos começar pelo final:

1. Tentar catalogar idéias bíblicas usando termos socioeconômicos cunhados nos últimos séculos, como “socialista” ou “capitalista”, é um absurdo total, pois a Bíblia foi escrita há mais de 3.000 anos, em uma realidade política, cultural, tecnológica e socioeconômica totalmente diferente da moderna.

2. Apesar disso, a Torá delineia os princípios morais e sociais com relação à economia, que sendo esses -princípios- podem ser adaptados e aplicados ainda hoje, e estes, por sua vez, concordam ou discordam dos princípios das diferentes correntes socioeconômicas modernas.

Para explicar melhor esses princípios, vamos dar uma olhada na realidade econômica e social na Terra de Israel na época do Primeiro Templo: No Israel bíblico, a grande maioria da população vivia da agricultura e seus derivados. A terra era de propriedade da família.

A sociedade era tribal e patriarcal, e cada núcleo familiar trabalhava sua terra que era passada como herança. Essa porção da terra da família é chamada em hebraico Nahalá. A moeda ainda não existia no momento. As transações foram realizadas pagando com prata metálica. Pequenas peças de prata são pesadas em balanças com dois pratos, colocando em uma os pesos correspondentes e na outra quantas peças de prata fossem necessárias para obter o balanceamento. Desse modo, a prata se tornou não apenas o elemento comum de pagamento, mas também o elemento de poupança e acumulação de riqueza.

A unidade de peso atual era o Shekel (daí o nome da moeda israelense atual), comumente traduzida para o espanhol como “siclo” e equivalente aos 11,3 gramas de hoje. Vamos agora ver os princípios: