Um dos períodos menos conhecidos pelos estudantes da Bíblia é o chamado período intertestamentário. No entanto, as mudanças ocorridas durante aqueles anos marcam um dos períodos mais importantes da história do povo de Israel. 

Este período de aproximadamente 450 anos é de extrema importância, pois terá influência no desenvolvimento do judaísmo como fé do povo de Israel; e, séculos depois, influenciará a história do cristianismo neotestamentário. Um dos fenômenos mais importantes durante o período intertestamentário é a helenização do judaísmo.

Jesus e a lei. Mas, o que é a lei? (I)

Minha intenção hoje é comentar brevemente sobre alguns aspectos do volume IV de “Um judeu marginal”, de John P. Meier, especificamente o capítulo 31 da obra completa intitulada Jesus e a Lei. Mas, o que é a lei?

Meier afirma que para conhecer melhor o Jesus histórico, em seu aspecto tão importante de “mestre da Lei”, é necessário primeiro se perguntar sobre o significado da palavra lei no tempo de Jesus. Como na pesquisa histórica estamos sempre raciocinando “em círculos” (mas não falo do típico “círculo vicioso”, mas sim o da aquisição de dados, construção de hipóteses explicativas, retorno aos dados, retorno às hipóteses para refiná-las, ou rejeitá-las porque não cabem, etc.), se conhecermos bem o conceito de Lei, conseguiremos refinar a nossa imagem de Jesus; e como ele tratou tanto da Lei, a recíproca será também verdadeira.

Encontrar uma conexão entre a hermenêutica dos autores do Novo Testamento e os princípios e métodos de interpretação típicos do mundo greco-romano, do judaísmo do período do Segundo Templo e de outros cenários culturais antigos, não é surpreendente. Os escritos do Novo Testamento nasceram em uma situação histórica concreta. As condições materiais, sociais e culturais em que o Novo Testamento foi produzido ajudaram a moldar as formas de leitura das Escrituras adotadas por seus autores.

A SINAGOGA


A sinagoga é o centro da comunidade judaica, um lugar de oração, estudo, educação, assistência social e caridade. É um centro social. 

O termo em hebraico é Beit Knesset, e significa literalmente, “casa de assembleia”, e em grego, “sinagoga”, lugar de reunião, literalmente significa “reunião de todos”. 

Alguns judeus usam a palavra “templo” porque consideram que seu local de reunião equivale ou substitui um templo. Na literatura rabínica, a sinagoga às vezes é chamada de Mikdash Meat, ou “pequeno templo”. 

As sinagogas começaram a aparecer após o exílio da Babilônia, devido ao temor entre os líderes do povo judeu de que, sem o Templo, as suas raízes fossem esquecidas. 

Durante o período do Segundo Templo existiam sinagogas em diferentes partes de Israel e da Diáspora. O Talmud de Jerusalém afirma que antes da destruição do Segundo Templo, havia 480 sinagogas em Jerusalém. No entanto, não há nenhuma evidência escrita, ou de outro tipo, de que as sinagogas daquela época eram usadas como centro de oração.

A cidade de Gamla está localizada na colina ocidental das alturas do Golã e leva o nome de gamal em hebraico “camelo“, por estar em uma colina com forma de corcunda.

Precisamente Yosef Ben Matityahu, comandante em chefe na Galiléia da rebelião judaica contra Roma, fornece em um de seus livros (já sob o nome de Flavio ​​Josefo) um detalhe topográfico e histórico fascinante que mais tarde ajudaria os arqueólogos a encontrar as ruínas desta cidade no ano 1976.

Yosef Ben Matityahu fortificou Gamla no ano 66, tornando-a a cidade mais importante do Golã. No ano 67, os romanos, liderados pelo grande general Vespasiano e seu filho Tito (ambos seriam coroados imperadores de Roma alguns anos depois) sitiam a cidade por um mês.

Em um primeiro ataque, os soldados romanos fracassam na tentativa de conquistar a cidade e muitos deles morrem na frente da excelente defesa dos rebeldes.

A euforia dos rebeldes era indescritível!

Não ajudaram as tentativas do Rei Agripa II de fazer com que os rebeldes se rendessem, e em um novo ataque os soldados romanos conseguem entrar na área da torre de vigilância, destruindo as estruturas até cair.

Ao entrar, os soldados romanos massacram de forma inclemente 4.000 judeus, enquanto 5.000 judeus decidem cometer suicídio pulando do topo da colina em direção aos vales circundantes.

Esta descrição é bem detalhada por Flavio Josefo, quem curiosamente não esteve presente, mas sem dúvida conhecia muito bem a cidade, pois foi ele quem realizou as fortificações.

Alguns historiadores duvidam da veracidade dos números apresentados por Flavio ​​Josefo e também é interessante que o historiador judeu-romano, em três ocasiões, fale de suicídios em massa de judeus: em Yodfat, Gamla e Massada, sendo que o suicídio está estritamente proibido no judaísmo.

Após a vitória romana em Gamla, o general Vespasiano e seu filho Tito passaram anoite  no palácio do Rei Agripa, localizado em Cesareia de Filipe (atual Banias) e suas legiões acamparam pela cidade.

Hoje em Gamla podem ser vistas impactantes descobertas, como o enorme buraco que os soldados romanos fizeram na muralha por meio de um carneiro, moeda local atribuída pelos rebeldes, restos de lanças romanas, casas dos habitantes, banhos rituais e um dos mais impressionantes achados: A Sinagoga de Gamla, uma das mais antigas do mundo!

 

Na época de Jesus, eram notórios o perigo e a dificuldade que caracterizavam a estrada da Galiléia para Jerusalém (especialmente de Jericó para Jerusalém) devido aos assaltos e ataques constantes aos peregrinos judeus que foram da Galiléia a Jerusalém pelo menos três vezes por ano.

O caminho começava em Jerusalém a cerca de 750 metros acima do nível do mar, e descia uns mil metros até chegar a Jericó, no vale do Jordão, 260 metros abaixo do nível do mar.

A parábola do Bom Samaritano descrita em Lucas 10 não é um fato histórico tal como concebemos a história em nossos dias. No entanto, se analisarmos essa parábola, podemos chegar a várias conclusões sobre o contexto geográfico, sociológico e religioso da época.

Primeiro, os samaritanos e os judeus eram rivais irreconciliáveis; uns aos outros se consideravam hereges. Os judeus basearam suas razões em que os samaritanos que faziam sua adoração no monte Gerizim, em vez do templo em Jerusalém. Além disso, eles somente aceitavam a Moisés como o único profeta, e não reconheciam nem a tradição oral nem o livro dos Profetas nem o dos Escritos.