Muitas pessoas acreditam que o Domo da Rocha, ou seja, a cúpula dourada que está no Monte do Templo em Jerusalém, é a chamada Mesquita do Omar. A realidade é que este belíssimo edifício com cúpula dourada não é nem uma mesquita nem é de Omar.

Trata-se de um santuário construído no ano de 691 pelo califa Abd al-Malik com o objetivo de:

  1.     Criar um santuário no mesmo local onde o Templo Sagrado de Jerusalém foi erguido, construído originalmente por Salomão quem, por sua vez, é um profeta no Islã. Além disso, inicialmente Maomé instruiu seus seguidores a orar na direção de Jerusalém, imitando os judeus que viviam no século VII na península arábica.
  2.     Competir com seus rivais bizantinos, mostrando que o santuário muçulmano é mais belo e suntuoso que o Santo Sepulcro. É por isso que a estrutura do Domo da Rocha é octogonal, talvez inspirada na igreja bizantina de Kathisma do século V (que lembra o local onde, segundo a tradição, Maria descansou a caminho de Belém), que também era octogonal e além disso, possui uma cúpula muito semelhante à cúpula do Santo Sepulcro.
  3.     Rivalizar com seu inimigo político, o califa Ibn al-Zubayr, quem controlava Meca (o lugar mais sagrado do Islã) e assim, desviar para Jerusalém boa parte das correntes peregrinas que iam em direção àquela cidade santa. Essa tese ainda é discutível por alguns historiadores que argumentam que o Abd al-Malik, um crente muçulmano, não iria prejudicar a peregrinação à cidade sagrada de Meca. De qualquer forma, é na época do filho de Abd al-Malik, Al Walid, que começam a identificar a passagem no Alcorão que fala da jornada de Maomé de Meca a “Al Aqsa”, que significa em árabe “o distante”, com o Monte do Templo em Jerusalém (ao qual os árabes chamam até hoje “Haram Al Sharif”, o “Nobre Santuário”). De acordo com essa tradição, nascida no início do século VIII, nessa travessia noturna o Profeta Maomé pousa na rocha que está dentro do Domo da Rocha (e daí seu nome) e sobe ao céu para receber de Deus os cinco preceitos do Islã a serem disseminados em todo o mundo.

Mas então, de onde vem a confusão que identifica o Domo da Rocha com a Mesquita de Omar?

Ou melhor:

Por que os relatores ou compiladores do Livro Bíblico dos Reis decidiram não incluir nele o relato de uma das maiores, mais decisivas e importantes batalhas da época?

Map Qarqar
Imagem 1: Mapa de Qarqar

Foi no século IX AC. A divisão dos israelitas em dois reinos, Israel no norte, com uma capital em Samaria, e Judá no sul, com uma capital em Jerusalém, já era um fato consumado e irreversível. Mas a dinastia real do reino do norte nesses momentos, a Casa de Omri, tinham estabelecido convênios de aliança com o reino de Judá e também com o reino fenício de Tiro.

Selaram-se as alianças com casamentos diplomáticos entre as famílias reais:

  • Omri casou seu filho Acabe com a princesa Jezabel, filha do rei de Tiro, e Acabe e Jezabel por sua vez deram sua filha Athaliah (Athaliah) em casamento ao príncipe herdeiro Joram (Yehorám), filho de Jeosafá, rei de Judá da Casa de Davi.

A aliança tripartida foi mantida durante todo o reinado da Casa de Omri, e trouxe consigo um notável auge econômico, entre outras razões pelo domínio dos reinos aliados das rotas comerciais que ligavam os portos fenícios no Mediterrâneo ao porto de Eilat sobre o Mar Vermelho, e com as rotas das caravanas para leste.

Esse auge econômico, diplomático e comercial também trouxe consigo uma crescente influência cultural e religiosa estrangeira nos reinos de Judá e Israel, o qual enfureceu os fervorosos defensores do monoteísmo israelense.

Desde o ponto de vista teológico do Livro dos Reis, os reis da Casa de Omri foram uma manada de odiosos pecadores, cujo summum foi a introdução da adoração aos deuses estrangeiros Baal e Asherah nas mãos de Jezabel e seu séquito.

Acabe (871-851 AC) foi o rei mais poderoso da dinastia e talvez o mais poderoso de toda a história do reino do norte.

 

Canal de Água - Tel Sheva
Canal de Água – Tel Sheva

Uma das coisas que atrai poderosamente a atenção de todos os que visitaram os restos arqueológicos das cidades-fortalezas dos antigos reinos de Judá e Israel (séculos IX-VI AEC), são os imponentes projetos de infraestrutura hidráulica destinados a abastecer a cidade com água quando esta é cercada pelo inimigo. Acima de tudo, destacam-se na vista do visitante as obras hidráulicas das antigas cidades de Hazor e Megido no norte de Israel, com seus enormes buracos de paredes revestidas de pedras esculpidas e escalonadas, que depois de descer dezenas de metros, estão ligados a túneis horizontais que os conectam a fontes localizadas fora dos limites da cidade, conduzindo mansamente suas águas, cidade dentro.

Mas não vou me referir a eles hoje, mas sim a projetos hidráulicos não tão impressionantes pelo tamanho, mas sim pela engenhosa habilidade de seus arquitetos, engenheiros e construtores, que conseguiram encontrar soluções de abastecimento e gerenciamento de água na parte mais árida da Terra de Israel, o Negev, que se estende do vale de Beer-Sheva ao sul.

Neste vale e perto da moderna cidade de Beer-Sheva, está o tel que preservou o nome bíblico Shéba através dos tempos (não confundir com Beer-Sheva) e mantém os restos da cidade antiga homônima (Josué 19: 2 mencionado imediatamente após Beer-Sheva). Hoje o local é um Parque Nacional e reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Por si só, era uma pequena cidade-fortaleza murada de 1,15 ha (11.500 m2), que, na época do Primeiro Templo, fazia parte de uma cadeia muito ampla de fortalezas de diferentes tamanhos ao longo das montanhas que bordejam os vales de Beer-Sheva e Arad.

 

Estrategicamente, o site possui uma excelente posição topográfica, porque se destaca no meio de um contorno de pequenos vales que compõem o vale de Beer-Sheva, o que lhe dá uma posição de vantagem sobre qualquer inimigo que tente assediá-lo. Seu calcanhar de Aquiles era o abastecimento de água que, se não fosse resolvido, inevitavelmente levaria à rendição a um cerco prolongado.

Mais de uma vez, em discussões acaloradas ou conversas prolongadas, os participantes usam comparações com episódios bíblicos para basear ou fortalecer suas posições político-econômicas ou socioeconômicas, e parece que o material a ser citado é tão variado, que cada um pode encontrar apoio na Bíblia Hebraica um argumento para sua opinião, às vezes arrancando esse argumento de seu contexto original.

Existe na Torá uma visão, ou uma posição clara sobre a economia e as relações de classe? Vamos começar pelo final:

1. Tentar catalogar idéias bíblicas usando termos socioeconômicos cunhados nos últimos séculos, como “socialista” ou “capitalista”, é um absurdo total, pois a Bíblia foi escrita há mais de 3.000 anos, em uma realidade política, cultural, tecnológica e socioeconômica totalmente diferente da moderna.

2. Apesar disso, a Torá delineia os princípios morais e sociais com relação à economia, que sendo esses -princípios- podem ser adaptados e aplicados ainda hoje, e estes, por sua vez, concordam ou discordam dos princípios das diferentes correntes socioeconômicas modernas.

Para explicar melhor esses princípios, vamos dar uma olhada na realidade econômica e social na Terra de Israel na época do Primeiro Templo: No Israel bíblico, a grande maioria da população vivia da agricultura e seus derivados. A terra era de propriedade da família.

A sociedade era tribal e patriarcal, e cada núcleo familiar trabalhava sua terra que era passada como herança. Essa porção da terra da família é chamada em hebraico Nahalá. A moeda ainda não existia no momento. As transações foram realizadas pagando com prata metálica. Pequenas peças de prata são pesadas em balanças com dois pratos, colocando em uma os pesos correspondentes e na outra quantas peças de prata fossem necessárias para obter o balanceamento. Desse modo, a prata se tornou não apenas o elemento comum de pagamento, mas também o elemento de poupança e acumulação de riqueza.

A unidade de peso atual era o Shekel (daí o nome da moeda israelense atual), comumente traduzida para o espanhol como “siclo” e equivalente aos 11,3 gramas de hoje. Vamos agora ver os princípios:

 

O Túnel de Ezequias (rei de Judá entre 726 e 697 AEC), uma das jóias arquitetônicas da era bíblica em Jerusalém, fascina todos que percorrem seus 533 metros cavados no fundo da rocha, caminhando na água limpa (em partes, atinge os joelhos ou a cintura) que emana da fonte do Giom, entre as paredes que ainda retêm a cobertura de gesso original com a qual foram impermeabilizadas na época de Ezequias. Três dos pontos mais emotivos que o visitante do túnel encontra hoje são:

1. A mesma fonte Giom, local onde foram ungidos os reis de Judá a partir de Salomão (1Reis 1: 32-35).

2. O local onde se encontraram os dois grupos de escavadores do túnel, que iniciaram seus trabalhos nas duas extremidades deste.

3. O local onde a inscrição de Siloe foi esculpida cerca de seis metros antes do fim do túnel. Mesmo assim, há três perguntas que permanecerão sem solução para o visitante ao terminar seu percurso.

 

Arqueólogos encontram vestígios, mas documentos foram saqueados

RIO — Um grupo de arqueólogos descobriu uma caverna que abrigou Manuscritos do Mar Morto, a primeira a ser identificada em mais de 60 anos. Os pesquisadores, da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade Liberty, nos EUA, dizem ter evidências suficientes para assegurar que no passado pergaminhos foram armazenados na gruta, apesar de nenhum documento ter sido encontrado.

— Embora não tenhamos encontrado nenhum rolo, apenas um pedaço de pergaminho enrolado em um jarro que estava sendo preparado para a escrita, as descobertas indicam, sem qualquer dúvida, que a caverna continha pergaminhos que foram roubados — disse Oren Gutfeld, da Universidade Hebraica de Jerusalém, ao jornal local “Haaretz”.

De acordo com o pesquisador, foram encontrados “potes onde os manuscritos eram escondidos, uma tira de couro para amarrar os pergaminhos e um pano para enrolar os pergaminhos”, entre outros artefatos. A suspeita é que os valiosos manuscritos tenham sido pilhados por beduínos na metade do século passado, já que duas cabeças de picaretas de ferro da década de 1950 foram deixadas dentro do túnel.